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Artigos - Técnicos

 

“A História das Coisas” é um vídeo produzido por Annie Leonard e trás de forma didática e crítica uma visão do nosso modo de vida contemporâneo. Coloca em xeque, sob o ponto de vista sócio econômico e principalmente ecológico, nossos hábitos mais simples, nossas ações mais rotineiras e principalmente o uso e descarte de objetos com os quais, pelos quais e para os quais vivemos.


Em um primeiro momento a palavra coisa do título e do início do discurso da apresentadora refere-se aos objetos e entende-se “Coisa” como sendo este objeto ou algo físico produzido pelo homem em processo linear, que em ordem, refere-se à extração, produção, distribuição, consumo e tratamento. A crítica inicial do vídeo mostra a não realidade desta cadeia e que por trás dessa produção há uma série de cenários muitas vezes desconhecidos e que segundo a autora nem sempre traduzem a magnificência do objeto em si.
Contudo, no início, já se percebe que Annie Leonard coloca a definição de coisa como sendo a estrutura ou organização sócio-político-econômica criada pelo homem para sustentar um modo de vida baseado em uma economia individualista e consumista.

O processo linear listado no vídeo é um modelo  sócio-político-econômico também conhecido como Capitalismo. O capitalismo não é um sistema totalmente transparente em seus níveis de processo e graças ao marketing, um de seus amigos mais próximos,obscurece alguns pontos de sua estrutura, dando-os uma conotação simplória, inconseqüente e deveras irresponsável, para as pessoas em geral. A identificação feita por Annie Leonard desse processo aparentemente linear e não correlacionado, mostra que ele não considera as pessoas como membros e oculta as conseqüências nos seus diversos níveis, porém Annie com esya identificação,paralelamente, vem nos revelar tais lacunas indesejadas dessa economia de materiais. Esta estruturação que rege a maioria dos países mundiais obscurece as conseqüências relacionadas à manutenção desse modo de vida, ou seja, não permite que os membros visualizem a não linearidade e a limitação desse sistema que esta apoiado nos recursos naturais do nosso planeta. Por conseguinte tal visualização permitiria uma mudança de atitude, ou seja a conscientização desta forma de produção traria uma mudança de hábitos de consumo, e provavelmente diminuiria o lucro de quem produz, o que nem sempre é interessante para empresas e governos.

Essas lacunas são tratadas com uma criticidade aguda ao longo do vídeo, colocando de forma explicita suas conseqüências em cada parte do processo e como essas conseqüências afetam de forma direta um planeta todo, visando justamente a conscientização já mencionada.

Neste modelo as pessoas são vistas como objetos do consumo no processo e tendem a ser colocadas como uma parte menor do todo. Somente são consideradas como importantes quando tem poder de consumo. As demais pessoas que não tem esse poder de consumo são tidas como ferramentas usadas para produção do interesse econômico.

Por isso os regentes, que são os governos, e pertinentemente a autora coloca atrelado a eles, as empresas privadas, colocam como prioridade a satisfação do mercado consumidor e fazem uso indiscriminado dos recursos naturais do planeta. Exploram tais recursos de forma incessante visando somente o lucro independentemente da provável extinção destes recursos ou das conseqüências geradas por essa exploração ou extinção.

Não obstante o vídeo mostra o final deste processo, enfatizando as conseqüências geradas por essa obsessão do maior lucro, mostra que os produtos gerados para atender as necessidades consumidoras de um determinado grupo populacional, nem sempre possuem em suas etapas de produção uma ética e uma responsabilidade consciente sobre seu uso e principalmente sobre o destino deste produto após sua vida útil ter expirado. O uso de produtos que não possuem esta preocupação é grande em nossa sociedade e estes produtos possuem em seu histórico de produção uma carga negativa tanto socialmente como em sua composição, pois os produtos químicos que os compõe causam inúmeras conseqüências maléficas ao equilíbrio ecológico natural de nosso planeta e as pessoas que os consome.

Todas essas características expostas neste vídeo e agregadas neste mesmo sistema sócio-político-econômico, estão refletindo uma falência eminente dessa estrutura econômica - consumidora. O exemplo citado pela autora do seu país de origem é uma conclusão visivelmente aterradora sobre a extração desordenada, o uso indiscriminado de matéria prima química nociva em produtos consumíveis e principalmente os efeitos sociais intrínsecos ou não que envolvem não somente o próprio país da autora, mas como ela mesmo revela, os ditos países do terceiro mundo.

A colocação de uma aparente lisura social da população norte americana é sem dúvida uma das críticas mais contundentes ao modelo. A autora revela a intimidade entre o governo e as empresas e a interdependência entre eles é exposta de forma direta através de um pronunciamento do presidente após o 11 de setembro incentivando o consumo caracterizando assim o papel não aparente, porém controlador das corporações sobre o modo de vida da sociedade como um todo. Essa característica americana de incentivo ao consumo não é nova e é retratada na citação feita por Victor Lebow
Nossa economia enormemente produtiva... pede que façamos do consumo nossa forma de vida, que convertamos a compra e uso dos bens em um ritual, que procuremos nossa satisfação espiritual, nossa satisfação do ego, em consumo... nós precisamos coisas consumidas, queimadas, substituídas e descartadas a passo acelerado.”

Mas ao mesmo tempo em que a valorização do homem como consumidor é colocada, temos também nesse ponto uma ambigüidade, pois o homem também é tratado como mercadoria e possui um valor muitas vezes menor que a próprio produto por ele produzido.

Claramente é exposto que essa “coisificação do homem”, que já foi dita por Marx em suas considerações sobre o capitalismo, acontece principalmente nos países menores, cuja exploração pelos norte americanos é a forma de obter o menor lucro e manter esse modo de vida.

A crítica explícita em todo vídeo é uma sugestão direta a conscientização social, política e ecológica sobre modo de vida consumista do capitalismo e principalmente um convite a uma mudança de hábito. Procurar ver que o que consumimos não é somente o que está diante de nossos olhos, mas que possui todo um histórico de produção. Ter consciência disto faz com que sejamos  mais responsáveis pelo que consumimos e também pela forma que conduzimos esse consumo.

O vídeo sugere também uma intervenção massífica da população em cada uma das partes desta economia de materiais, procurando transformar cada uma delas em uma etapa mais adequada a uma realidade sustentável e que não atinja os limites naturais do planeta e resgate a humanização de todos os indivíduos, procurando soluções alternativas de produção, reciclando e consumindo com consciência e sem desperdício.

No que tange a engenharia, a responsabilidade dos engenheiros é latente e nossa conscientização não é deve ser atribuída somente no âmbito pessoal e na separação de produtos recicláveis, mas a intervenção da classe com ações positivas na produção e em pesquisas de novas formas de produzir bem como em  matérias primas ecologicamente corretas, são de fundamental importância no projeto e produção de novos produtos.

Viabilizar economicamente um produto ecologicamente correto é um desafio, porém inviabilizar um planeta por conta deste produto é parvoíce

Josenei Godoi de Medeiros
Engenharia de Controle e Automação – FATESF - Tuma 2008

REFERÊNCIAS
Leonnard, ANNIE, A História das Coisas, http://www.storyofstuff.com/ , Estados Unidos, 2007
MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. São Paulo: Nova Cultural, 1996a. Livro I, tomos 1 e 2. (Coleção Os Economistas).
LEBOW, V. Price Competition in 1955. In: Journal of  Retailing, vol. 31 (Spring), 1955, p. 5.